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Outono II

V er o céu azul, a luz do dia A vida se renovando a cada amanhecer A solidão no fim das tardes que estanca o sangue, Que seca as feridas, Que traz esperança. O vento sopra mais frio agora. Estamos no segundo dia do outono. As lavandas emanam seu perfume, A cada empurrão do vento em suas folhas. Ou seria apenas imaginação? Seu perfume está gravado na minha memória Eternizado na alma, Assim como todo o amor que o outono faz nascer.

Neruda, mais uma vez

"Dois amantes felizes não têm fim nem morte, Nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem, Têm da natureza a eternidade." (Poema XLVIII, do livro Cem Sonetos de Amor) D ifícil não suspirar a cada frase lida, a cada pedaço de amor derramado nos versos desse livro. Nem que eu viva mil vidas, serei capaz de escrever algo de tamanha grandiosidade. Hoje o calor do Sol revigora o corpo cansado. Imersa em meus pensamentos, tantos momentos felizes passam em minha mente. Lembranças doces da infância, o cheiro do alecrim plantado pelo meu pai molhado pela chuva, esse perfume que ficou na minha memória... Bem como as lembranças boas das manhãs de domingo cuidando do jardim ao lado do meu dele. E lentamente a história vai se repetindo. A cada gesto meu, me vejo mais semelhante a ele. Quando retiro as ervas daninhas que insistem em nascer entre minhas queridas plantas, me vejo repetindo as ações de meu pai, tão querido, tão correto, tão honesto. No jeito de andar, ...
Imagem
Sim... essa foto é minha. Tiramos em 2015 numa viagem inesquecível aos campos de lavanda na região de Provença, na França.. É mais do que um presente. É um milagre de Deus ver tanta beleza...

Outono

Foram três longos anos bem vividos. Anos em que me ausentei desse vento gélido de fim de tarde. Quando apenas a chuva caía para mostrar a mudança da estação. Foram três longos anos bem vividos. Sem amargura, mas às vezes embargados de uma doce solidão. Após uma longa e terna jornada Volto a ti, outono meu Estação em que minha alma se conforta Com a brisa que faz a cortina dançar. Estando aqui novamente, Ainda a doce solidão me acompanha Estar longe ou perto É apenas uma questão de entendimento. O vento sopra e traz com ele As palavras não compreendidas O amor, o desejo da criação.

Andando

Ando em busca da ressignificação dos sentimentos Encontrar razões para dores amargas Acalanto para perguntas sem respostas Novidades que mudem a cor do meu dia. Ando procurando instintivamente respostas Dúvidas que assombram Apenas interrogações da vida O que amarga o sabor da boca Como um café frio mal adoçado. Palavras sem sentido Perdões não concedidos E a eterna (ou terna) culpa de ser quem eu sou De não ser quem desejas que eu seja. De viver na minha solidão Mesmo estando próxima de tanta gente.

Quem sou eu?

F ilha mais nova de uma família com quatro irmãos. A mais desgarrada dos quatro. Não descansei até encontrar meu caminho. Cursei administração por um ano. Fiz mais três de Engenharia Ambiental. Movida pelo constante desejo de mudança, passei numa Universidade Federal em SP, e comecei tudo do zero. Sem arrependimentos. Sofri e me desesperei. Levei meu diploma embaixo do braço, após seis anos não fazendo outra coisa senão estudar. Incessantemente, incansavelmente. Estudei e me formei em Ciência e Tecnologia. Estudei Física.  Aprendi a calcular integrais, sem uso de tabelas. Aprendi mecânica quântica. Resolvi centenas e por que não dizer, milhares de exercícios. Isso me engrandeceu como ser humano. (Não desista nunca dos seus sonhos!) Mesmo que alguém te pergunte para que estudar tanto, se depois todos vamos morrer? À época, nada respondi. Mas hoje talvez fosse uma surpresa eu dizer: "Simplesmente porque tenho certeza que a única coisa que vou levar comigo é o conhecimen...