Neruda, mais uma vez
"Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
Nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem,
Têm da natureza a eternidade."
(Poema XLVIII, do livro Cem Sonetos de Amor)
Difícil não suspirar a cada frase lida, a cada pedaço de amor derramado nos versos desse livro.
Nem que eu viva mil vidas, serei capaz de escrever algo de tamanha grandiosidade.
Hoje o calor do Sol revigora o corpo cansado. Imersa em meus pensamentos, tantos momentos felizes passam em minha mente.
Lembranças doces da infância, o cheiro do alecrim plantado pelo meu pai molhado pela chuva, esse perfume que ficou na minha memória... Bem como as lembranças boas das manhãs de domingo cuidando do jardim ao lado do meu dele.
E lentamente a história vai se repetindo. A cada gesto meu, me vejo mais semelhante a ele. Quando retiro as ervas daninhas que insistem em nascer entre minhas queridas plantas, me vejo repetindo as ações de meu pai, tão querido, tão correto, tão honesto.
No jeito de andar, na forma tacanha de falar, no modo de pensar e em tantas outras expressões, sei que vejo meu pai em mim e me vejo nele.
No coração frágil que esquece as injúrias dos outros rapidamente, no sentimento de deixar logo para lá o que não tem conserto.
Sei, absolutamente sei, que esse apreço, essa afinidade, essa ternura não vem desta vida. Mas de muitas outras atrás.
E que Deus lhe dê pelo menos mais mil vidas ao meu lado, meu exemplo, meu grande e terno herói.
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